
sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
quase novo, quase sempre.
Somente de perto se pode ver algo acontecer. Novo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
(dis)curso(s)
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
dia do sozinho
dei um sorrisinho contemplativo à tristeza.
agora, a senhora pode ir.
eu já quero ficar sozinha.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
o guardador de carros
Eu não percebia, mas esperava o fim do sinal vermelho. Sentada no ônibus, com minha cabeça longe, voltada para o lado de fora da janela. Não teria notado nada disto, se não fosse ele a me olhar. Sentado em cima de um carro, olhou para mim com tanta insistência que me tirou os pensamentos. Fui automaticamente ao encontro de seu rosto. Nos olhamos. Ele esperou que eu virasse. Eu esperei que ele me ofendesse. E, como é dada a simplicidade, em poucos segundos de calma, reconhecemos de nós o olhar ingênuo. Ele sorriu. Eu sorri também. De lá, ele falou, enquanto apontava os ouvidos, "está ouvindo música, né?". Alargando o meu sorriso, balancei um sim. O sinal abriu. O ônibus se movimentou, desprendendo o nosso olhar, mas logo retornamos ao encontro. Ainda em pouca velocidade, o ônibus cruzou o carro parado ao meio-fio. Com outro sorriso, ele acenou um tchau. Contente, os devolvi. Era começo de tarde e este foi o meu primeiro motivo no dia para sorrir. Poucos minutos depois, desci do ônibus. Deu para sentir que fazia um belo sol.
domingo, 18 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
de quem. o inverso. de mim. tira a poesia.
como sou tola, em minha guerra, divertindo-as.
não vejo. não ouço. apenas falo.
tropeço vaidosa sem saber servir-me.
já disse. eu sobro. eu estou em excesso.
perdoem-me. sem desculpas. caí em desconcerto.
não prometo ordem. mas. por diante.
talvez, deseje que apenas um "não" me baste.
quem dirá que sabe. o que pode um único "não".
que já nem seja ele fogo para a minha alegria.
nem também água para a minha tristeza.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
meu caro apego
desde a hora que acordei, só ouço a voz da minha respiração. ela não me deixa esquecer. é um ressentir interminável do ontem. sem nenhuma piedade. e eu que pensei que poderia olhar o novo dia, mal ando, com o peso do ar a circular para dentro e para fora de mim. eu sei, eu sei. suplicaria um pouco de paciência, mas ela precisa de severidade, não me vê com confiança. sabe que eu esqueço. sabe que eu perdôo. sabe que eu transformo. sabe todo o esforço que eu naturalmente faço para não ver o acabar. nem eu entendo por que penso que preciso de um mundo inteiro que, quando de fato se vai, não me faz a menor falta. é sempre e não é medo. há pouco tempo atrás, eu acreditava que adorava mudanças, mas alguém me fez descobrir. das mudanças, eu gosto da hora em que todas as tralhas já foram reorganizadas. antes disto, para mim, é só trabalho. árduo.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
foi bonita a festa, pá
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Tanto Mar - Chico Buarque
legítima defesa
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Elas ficam, são alimentadas por pouco a todo tempo.
Por isto, é tão dificil não pensar.
Quando quase acho o vazio, elas chegam, ocupando tudo.
São cores, contornos, sons, sensações.
Quase quero parar a minha mente.
Quase quero libertar as imagens.
Quase quero apagar-me.
Mas elas sempre me parecem belas. Eu as desejo, e não as acredito. Não deve haver motivos. Não é questão de fé acreditá-las.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Quando aprendi a fazer bolo, ouvi dizer que se deveria bater a massa sempre para o mesmo lado. Alguns doces também, se fossem mexidos em sentidos diferentes, embolariam. Nunca entendi a fragilidade da massa dos doces, incapazes de suportar reviravoltas. É pura atenção. Como os amo, mexo-os observando.
Não é mesmo para entender.
É apenas para ter cuidado.
domingo, 11 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Se fizer bom tempo...
Maricotinha - Dorival Caymmi
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Teimosia romântica
(...)
Nem por um milagre, o olho humano burro o realizará.
Mas, se insiste, vai, minha filha, deita.
Deus ajude que não lhe caia uma estrela na cabeça.
Deus que lhe ajude!
mais uma vez saudade
Se saudade fosse pássaro que, ao invés de assobiar, matasse,
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Para Bom Princípio e Bom Fim

Eu também estive lá. E, mal pisei o pé na Feira, fui "pescada" por um vendedor, que correu em minha direção como se de tudo soubesse "Está procurando artigo de barro?”. Antes que eu entendesse, saiu ligeiro na frente me levando. Ri impressionada. Deus é mais, às vezes, os vendedores acertam. “Venha comigo filha de ...". E disse o nome da Santa, que eu logo devolvi em forma de pergunta para me certificar. Em vão. Nem percebi a hora que me perdi do nome.
Na mesma semana, ouvi três vezes que era filha de uma Santa. Deve ser o mistério que não me deixa lembrar do nome, que nem sei se era o mesmo nas três ocasiões. Passei boa parte do ano dizendo que ia procurar um terreiro e, vendo o final de dezembro chegar, parece que ele resolveu me mandar um recado. "Calma que chego", respondi avisando sobre o compromisso o ano que vinha.
Estou na terra da superstição. Deus sabe o que faz e, às vezes, o povo daqui acerta.
Contei, só por contar, a novidade que ganhei de presente a alguém que compreende muito mais os santos e as imagens do que eu. Recebi de lá um desconfiado "eu acho que você vai viajar". Então, pensei, é melhor mesmo apressar os terreiros. Se pelas vistas vem me chegando um barco, bem me parece que, a âncora, eu vou ter de ir buscar.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Ela vai dançando a sua vida branca até onde o sonho aguentar. Como uma puta ou como uma santa se oferecendo ao que passa. Ela carrega consigo os castigos. Tem uma bolsa cheia de remédios. Lê todas as bulas e não usa. Ousa. Fala de tudo que precisa. Não pode. Não pede. É presa, presa e presa. Ora extravagante, ora só os olhos da louca. Fácil a qualquer bajular.
Rendida, descrente. Ia sair, mas teve vergonha.
domingo, 4 de janeiro de 2009
só para me repetir
Somos citados em todos os lugares. Não temos nada de singular. Somos o coletivo dos plurais. Ainda e sempre genuínos.
por onde
sábado, 3 de janeiro de 2009
imagem genuína semelhança
O Verbo está antes da ação. É intenção, pensamento interior, objetivo. Verbo é, em si, verdade e toda verdade corresponde ao sujeito. O Verbo está com todos desde o princípio, como meio, como motivo. Desde sempre, fez-se carne. Dele somos imagem e semelhança, se não nos esquecermos disto.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
conto do amor ao fim
De longe, era mesmo uma casa abandonada. Tudo meio arruinado. Rangendo, sem audição. Morava um casal que era tão apaixonado, que, dizia a velha, um não comia sem o outro chegar. O moço era pescador, saía todo dia cedo, antes da manhã levantar. Aí, se tomava café e o resto todo esperava a hora dele voltar. Às vezes, durava até a noite. Ela dizia que não sentia fome. Nem água quase não bebia. Eu pensava que só podia ser saudade a pessoa passar o dia todo sem comer nada. Viveram bem uns cinco anos. Foi numa das primeiras madrugadas de março. O moço saiu para pescar. Dizem que o tempo não estava ruim, nem bom. Deus sabe lá, se emendou uma madrugada na outra e nada do moço chegar. A Rita, que já era magra, agüentou bem uns quatro dias sem comer. Depois, caiu doente. Deram-lhe muita papa e folha. Ela saiu da cama e ele ainda não tinha voltado. O povo todo dava mesmo o moço como morto. Nem ele, nem o barco. Viram ele na maré de longe. Só tinha mesmo a roupa do corpo. E do mais, todo mundo sabia que ele gostava mesmo era dela. Mas, a Rita não contou conversa. Quanto mais diziam a ela para rezar o corpo, mas ela praguejava ele. E falava tão mal, tão mal, que parecia falar de outro. Dizia mesmo que homem era tudo igual, que ele tinha era arranjado outra, tinha largado ela por uma rapariga qualquer. Bendizia não ter dele nenhum filho para carregar o desgosto. O povo chegou a achar que ela estivesse doida ou então que os dois já não eram tão comungados quanto parecia. Mas, quando perguntavam se ele já não gostava dela, ela ficava era mais aborrecida. Dizia que homem sempre gosta de quem lhe põe a mesa e forra a cama. Era de espantar a tamanha desvergonha com que ela contava a humilhação. Porque mulher nenhuma acha bom ser trocada. Mas, a Rita não se importava em falar e repetia tanto, que a vizinhança chegou mesmo a acreditar nela e resolveu parar de rezar o defunto. Daí, a Rita ficou uns três meses. Ninguém nunca viu ela chorar. E, numa manhã, como a dele, ela arrumou uma trouxa e saiu antes do sol. Disse ela a uma vizinha que não ficava na casa mais não. Que não queria está nela para ver ele voltar. Era bom que ele quietasse no lugar onde estava. Nisso, já se vão muitos anos. A casa já está velha. Era tão bonitinha. Bem certo, que com esse tempo, o moço não voltou. Disseram depois que tinha uns pedaços do barco pelo mar. Mas, não se sabe, com aquela história toda da Rita. Ela bem que sumiu no mundo. Ninguém tem notícia. Mas eu torço mesmo para ela estar certa, viu? Ela devia era saber. É melhor o amor acabar, que o moço morrer.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Feliz Ano Novo
sábado, 27 de dezembro de 2008
matando carrapatos
Para me lembrar que é um cachorro, Albert de vez em quando adquire uns carrapatos. Eu odeio. Sempre penso "Nunca mais crio cachorro na vida". Engulo o meu nojo e repulsa para enfentar os parasitas com frieza. Desta vez, um novo remédio, segundo o vendedor, um tratamento de choque para a hora do banho. Lendo a bula, encontro um "ATENÇÃO: CÃES DE PEQUENO PORTE PODEM APRESENTAR DEPRESSÃO ACENTUADA POUCAS HORAS APÓS A APLICAÇÃO."
- Hein?!
Olho para Albert em tom irônico e cruel:
- Você gosta deles, é?
A palavra cala
Delas, pode-se escutar qualquer coisa. Não dizem nada. Nem sobre mim. Nem a você.
As palavras só servem para nos calar.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Fim de Festa
Queria um post sobre o amor, mas ele não veio.
Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem.
Boas Festas - Assis Valente (1932)
Alguém me disse que eu não era generosa
A minha generosidade é utópica. Talvez não sirva nem a mim, nem aos outros. Talvez nem se chame generosidade. Seja apenas aceitação. O certo é que toda generosidade prática me parece ultrapassada. Acho até que esta generosidade só tem a ver com previdência. Minha visão de futuro tem sido cada vez mais escassa. Disto não se salvam as relações. Não confio no tempo. Ele me tomou muita gente. Por ele, fui deixando de esperar os retornos. E, ainda que quisesse, não poderia ignorar a sensação de que não envelhecerei até a hora da colheita. O tempo só me confirma. Talvez eu morra jovem.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Instinto de Natal
- Meu Deus, Albert, quando você vai aprender a ter cuidado?!
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Ao Meu Amigo Imaginário: Feliz Natal!
Há algum tempo, um estranho persegue a minha mente. Um dia, o vi passar. No outro, ouvi sua voz. Certa vez, ele estava na minha frente na fila do supermercado. Observei-o atentamente. Neste dia, descobri seu nome. Descobri onde morava. Passamos meses sempre nos vendo pela rua. Às vezes, em lugares inesperados.
No começo deste mês, dada à insistência do destino, resolvemos nos aproximar. Não houve uma apresentação oficial. Apenas um "Olá. Tudo bem?!" Foi engraçado. Daí em diante, sempre trocamos algumas frases, corriqueiras, divertidas e triviais. Assim, vamos nos acostumando um ao outro. Teve um dia que quis contar uma coisa para ele. Na verdade, já tinha pensando outras vezes. Só que naquele dia, teria contado, se o tivesse visto. Cheguei a caminhar pela rua, mas nada.
De umas semanas para cá, quando vejo uma coisa, penso nele. Sempre penso nele. Ele é um estranho. Outro dia parei para analisar. Desde que o conheci, fiz várias coisas por causa dele. Eu nem sabia. Ele é um estranho. Outro dia, ele tinha um livro na mão. Procurei na internet. Li um artigo sobre o livro. Li o livro. Não gostei muito. Queria ter dito a ele. Vai ver ele também nem gostou. Fiquei uns quatro dias sem vê-lo. Fiquei triste. Quando a gente se encontrou, ele fez uma cara do tipo "você sumiu". Eu ri meia hora. Quando cheguei em casa, escrevi mais um texto para o blog. Ele nem sabe que eu escrevo.
Ontem, saí rapidinho para comprar umas coisas. Mal pensei nele. O vi quando dobrei a esquina. Ele estava do outro lado da pista e atravessou para falar comigo. Fiquei um pouco nervosa porque normalmente a gente não pára quando é assim na rua. Ele explicou tudo: "Oi. Então, Paula, Feliz Natal!". Claro. O natal. Eu nem gosto que me chamem de Paula, mas, coitadinho, ele ainda nem sabe disso. "Sim. Para você também. E Feliz Ano Novo!". "Não. A gente ainda se vê antes do Ano Novo". É? Sorri um "Quem sabe". Ficou no ar o tempo de um abraço. Mas, era demais. Afinal, ele é um estranho. Quando me afastei um pouco, ele disse mais alto "Olha, ano que vem a gente se conhece". Ri uma hora. Óbvio. Ele não é um estranho. Na próxima, darei a ele um abraço de Feliz Ano Novo!
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
meu pé direito
a história da menina que escolheu.
Quando uma pessoa escolhe, a outra é obrigada a escolher. A escolha não é um direito. É mesmo um dever, que a maior parte das pessoas finge não cumprir para não carregar o peso da responsabilidade. Em uma das minhas escolhas recentes, decidi não fazer favores para ninguém. Não falo de favores práticos, como pegar uma coisa, fazer algo, uma gentileza. Não. Falo dos favores implícitos na vida cotidiana, aqueles que nem sempre te pedem, mas que entram na sua escolha. Acontece quando você escolhe fazer algo por um motivo que não é exatamente seu. Fiquei mais egoísta depois desta escolha. Confesso. No entanto, tenho acreditado no poder de transformação do egoísmo temporário. Acho mesmo que um tempo de egoísmo pode trazer novo significo a um sujeito. Por enquanto, com esta escolha, vou fazendo história. Afinal, quando uma pessoa escolhe, a outra é obrigada a escolher. Quando a outra escolhe, a pessoa é obrigada a escolher novamente.
gata e rato
domingo, 21 de dezembro de 2008
Nem quero nada a mais.
Não quero a preocupação de alguém.
Permita-me a escuridão que nenhum olho me enxergue à noite.
No dia, há muito, a minha alma é despercebida.
Que assim fique.
E eu possa me guardar no céu que ninguém cerca como meu.
E não brilhe. Nunca. Nem por brincadeira. Nem por covardia.
Estou a me apagar. Devagar. Pela inspiração.
Vão ficando, sem cor, no chão, os meus ciscos.
Não me despeço. Não os preciso.
Já preciso de tão pouco. Ou de tanto.
É certo que não me importo.
Faço tudo pelo sentir.
Sentir me basta. Sentir me cansa.
É brilho quente. Precioso e inútil.
Só dele me apago. Só dele me acendo.
E é inútil. Servirá para nada. Servirá somente sentir.
Enquanto durar as paciências.
Eu acendo. Eu apago.
E todos os olhos me perdem de vista.
Além do mais, eu nunca achei que ciúme pudesse aproximar as pessoas. Para mim, sempre foi motivo de renúncia. Sintoma de desatenção.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Ego
Eu como sou agora.
É insuportável.
Não me aceito fora de mim.
Não suporto me ver em outra.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Queda
Enquanto, de longe, eu pensei em dizer. Um acidente. Um espanto. Todo mundo falava muito alto. Na festa. Quando ele caiu.
Acho que foram quinze ou vinte. Segundos de nada a fazer. Desejei que fosse o trigésimo andar. Desejei que ele fosse um anjo. Ainda mais leve. Desejei que o mundo acabasse. Antes da hora.
Tudo seria milagre.
Ele. Tão só. Abraçado ao solo. Irremediavelmente.
Não falem. Não questionem. Não. Nada faz. Não há sentido.
Um susto. Um sonho. Ainda bem. Foi sonho.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Com açúcar, com afeto
Gosto de estar ao teu lado. Sem perguntas, sem respostas. É tudo.
A despreocupação em saber é de infinita beleza. Intensa. Singela.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
alguém esteve lá
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
ouvi com sabedoria ou uma analista amiga minha
corpo vida
eu não devia separar, mas o corpo é infinitamente verdadeiro.
Um dia, ainda viva, eu serei só corpo e o mundo, verdade.
o corpo é a concretude do espírito.
Ele é tudo e, às vezes, não o entendo.
Nem sempre a gente sabe.
Mas, a gente vive para praticar o corpo.
Até completar um ciclo.
O espírito é um eterno aprendiz.
De quando em quando, o corpo o ensina.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
A história só serve para nortear as mudanças.
***
não somos triviais. eu e você. não somos. não devemos conviver assim. não vamos parar de brigar, não vamos parar de brigar, não vamos parar de brigar. com a nossa história.
A história só serve para nortear não mudanças.
***
domingo, 14 de dezembro de 2008
Como os domingos acabam?
***
sábado, 13 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
a senhora ao lado
- E homem, não?
- Homem? Homem nem se apaixona. Quando muito, gosta um bocadinho de você.
Ouvi de uma moça velha
As crianças não. Elas entendem tudo. E, na maior parte das vezes, não aceitam. As crianças são muito revolucionárias. Mas a gente nunca dá ouvidos a elas.
O ser humano vai estragando à medida que cresce.
do amor, tenho apenas o sentimento. me parece simples de cultivar. sincero fruto da relação abnegada. por vezes, nem recíproca.
o amor não dói. o que dói é outra coisa.
ao amor permissível. quanto mais eu tenho, maior me sinto.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
conjugar
cor em cheiro, cheiro em cor
é de si o mais intenso perfume
eu exalo tu exalas ele exala nós...
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Ontem
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Inspiração
Ao final, suspirei fundo. Um suspiro úmido, cuja duração contemplou a infinita beleza que a individualidade tem ao se compreender maior.
Apego
Sou feita de reservas. Com elas, espero as visitas do tempo. Quando ele chega, beijo-lhe a mão. Ele me olha, acomoda-se e fala-me com discernimento.
domingo, 7 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
tempo da delicadeza
Amo os meus desejos. Quero tê-los.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
O Anjo Exterminador
Não lembro o rosto de nenhuma personagem.
O que traz à memória, roda, vira, mexe:
- ...
- Sim, Diretor, compreendo, mas não poderíamos aproveitar para fazer logo a outra tomada da cena anterior, enquanto o rebanho de cordeiros não fica pronto para filmar?
- ...
- Ok, estou pronta.
- ...
- Ah, desculpa, me esqueci de tirar... Agora, vou: do início sem a máscara!
- Ok. Gravando!
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Na farmácia: o que não tem remédio.
Farmácia. Antes de tudo, a balança. Coloco-me a espera, com a paciência típica de quem sabe que já ganhou. À minha frente, num tempo bem particular, uma menina de mais ou menos 19 anos, sobe descalça como se reverenciasse um oráculo. Em alguns segundos, ela comemora a consulta:
- Gente! Emagreci três quilos comendo de tudo! - Fala alto, sem pensar.
Silenciosamente, meu primeiro impulso: "Mentira!". Logo depois: "Quem sabe". Visivelmente mais leve, ela desce da balança rapidamente. Eu, tomando parte da minha vida, subo. Desço sem falar, mas lanço um olhar irônico à balança: "Da próxima vez, antes de subir, lhe faço uma mesura".
Dialética. "Não, eu não estava pensando em emagrecer. Não, eu não fiz nada para isso. Sim, eu achei pouco ter perdido pouco mais de um quilo, mesmo sem fazer esforço". Tentando conscientizar a minha pretensão, dirijo-me ao balcão e peço um antiinflamatório. Chega rapidinho e não é caro. Quase feliz, vou ao caixa.
Pequena fila e, quem vejo à minha frente?, a menina. Passo o olho em sua cesta: tintura de cabelo, hidratante e várias caixas de chá verde. De saquinho! Fico impressionada. Na fila, uma amiga mais alta, mais loira e magra, que eu não tinha visto até então, lhe faz companhia.
- Odeio chá verde!
- Eu não vivo sem, viciei. E realmente, acho que emagrece. - Respondeu a menina, ainda gordinha, com feliz sinceridade.
- Aff! Não sei como agüenta, não tomo nem aqueles de supermercado...
- Ah: Me pesei, perdi três quilos! - Animação de quem emagreceu 30.
- Foi?
- E comendo de tudo! Juro que não passei fome hora nenhuma esta semana.
- Mas eu te disse que você estava mais magra. Pensei até que tivesse perdido mais... O ruim destas dietas de reeducação alimentar é a continuidade. A primeira semana é ótima, porque a pessoa vem comendo de tudo livremente, aí, o mínimo que corta, já faz a diferença. Mas, da terceira em diante complica: mesmo seguindo tudo certinho, os resultados demoram muito. Priscila mesmo não agüentou, disse que passou várias semanas sem emagrecer nada...
A menina não teve tempo de raciocinar. Interrompendo a fala da loira, a caixa sorridente disse apenas "Boa noite!" e ela, ainda segura com a nova silhueta, foi pagar a compra. Logo atrás, eu era uma interrogação bege:
- Meu Deus, esta loira está com medo de quê?
mormaceira
Ou se quer ou não se quer.
a morte aumenta a espera
era o negro do ciúme
nenhuma cor lhe vestiu na hora da briga
foi nu, feito bicho, desperdiçar a força
era o vermelho do sangue
era o barro da terra
nenhuma cor lhe cobriu a mancha
foi o fim, feito juiz, sentar-se entre a gente
a desistência não teve cor
tampouco se viu por perto a cor dela
fora a presença da própria sombra a lembrar-lhe a infância
a criança, no tempo da pausa, o fizera corar
por pouco não fora o suspiro a chamar a morte
mas não se sabe como, nem porquê
enquanto um sonhou, o outro se fez livre
sendo, o céu, vivo fim de tarde.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
poucas frases
As nossas suposições só servem a nós mesmos.
Costumo me dobrar ao que quero.
A mínima grosseria ainda me deprime.
Ansiedade nunca foi meio de locomoção.
Precisar de alguém, para mim, é motivo de orgulho.
Um "não" não me basta.
Os sensíveis costumam ser inteligentes.
A nossa natureza é o que nos obriga.
As pessoas que dão a outra face,
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Sabedoria Divina
Tenho certeza que esta é a única condição que torna o meu espírito dialético.
