domingo, 13 de setembro de 2009

2ª lição


Após entendimento e aplicação, via experimentações práticas, do conteúdo do post anterior, inicie a segunda e, provavelmente, última lição sugerida para uma convivência harmoniosa no plano material e espiritual. Aos caracteres matemáticos, relacione a pequena mostra a seguir de símbolos de compreensão variável. A reduzida seleção possui caráter ilustrativo para fins de treinamento consciente, já que - assim como as possibilidades de combinações matemáticas - a gama de variáveis é infinita. É importante destacar que as relações simbólicas que serão experimentadas daqui para frente devem ser regidas pelas premissas matemáticas expostas na primeira lição, somente assim será possível obter sucesso em uma vivência prática. O desprezo das leis matemáticas pode gerar confusão mental, desestruturação intelectual, perda da consciência tempo-espacial, fadiga, irritabilidade, desconforto, baixa produtividade e depressão.

Mostra de Símbolos de Compreensão Variável 

➶☝❤☟↝ ↚ ⥀ ✟ ↫ ☼ ☄ ☇ ☈ ☽ ❥ ➻ ☾ ✔ ✗ ⚐ ♢ ♣ ☤ ⌰ 欠 $ ⌛ ⚇ 
➴ ☐ ☜ ♩ ☞⟳☀☆♋☌ € ₤ ☉✝ ♕☤✞⚑☦✍☪⚠✿⌧⌗㊋⠞⠫1฿♔
    ♬ ☹ ☯ ☺ ❀ ♪  ✄ ☕ ⌚ ♨ ♂♀ ♡ ♥ ⎋ ⌱ ㋼ 欩 ♞ ⚉〪

aplicação (ou explicação) matemática


Esbouço básico para entendimento matemático da vida prática

Abaixo, símbolos e raciocínios indispensáveis para a resolução de problemas, elaboração de sentenças, condutas e ideologias. Estude, aprenda, aplique e nunca mais se pergunte para que serve a matemática.


Aritmética, Cálculo e Ordenações Parciais

+ adição
-  subtração
× multiplicação
÷ divisão
∑ somatório
∏ produto
∫  integração -  em função de
f ' derivada
∝ proporcional a
= igual a
≠ diferente a
< menor a
≤ menor ou igual a
> maior a
≥ maior ou igual
≈ aproximado a
∼ semelhante a


Números

Ν  números naturais
Ζ   números inteiros
Q  números racionais
I   números irracionais
R  números reais
C  números complexos
∞  infinito
||  valor absoluto


Teoria de Conjuntos

{} ∅ conjunto vazio
{:}    notação de construção de conjuntos
⊃ ⊄  contido/não está contido
∈ ∉  pertence/não pertence
∪      união teórica de conjuntos
∩      intersecção teórica de conjuntos
\       complemento teórico de conjuntos


Definição, Lógicas e Análises

|x|  Valor absoluto de x
:=   outro nome para
:⇔ logicamente equivalente a
⇒   implicação material - se... então
⇔  equivalência material - se e só se
∧    conjunção lógica - e
∨    disjunção lógica - ou
¬    negação lógica - não
→  seta de função
!     fatorial
∴   portanto
∵    porque
∀   quantificação universal - para todos, para qualquer, para cada
∃ ∄  quantificação existencial - existe, não existe

sábado, 12 de setembro de 2009

Hamlet: última leitura


Ofélia. Meu bom senhor

Como está Vossa Alteza depois de tantos dias? 

//Cumprimento formal. Ofélia tenta manter o distanciamento.

 

Hamlet.  Muitíssimo obrigado: bem, bem, bem. 

              //Haveria certa ironia na resposta de Hamlet, devido ao tratamento formal de Ofélia quando estão sozinhos?

 

Ofélia. Alteza, tenho comigo alguns presentes teus

                Que há muito tempo desejava devolver.

                Eu te peço que os aceite agora.

 

Hamlet.  Não, não eu.

                Eu nunca vos dei nada.


 Ofélia. Honrado príncipe, sabes muito bem que sim,

                E com eles, palavras tão docemente perfumadas

                Que os enriqueceram ainda mais. Mas, agora que esse perfume se perdeu,

                Aceite-os de volta. Para  alma nobre

                Os presentes mais ricos perdem seu valor, quando cruel se mostra o doador.

                Aqui estão, alteza.  [entrega os presentes]

 Hamlet.  Há, há! És casta? 

 Ofélia. Meu senhor?

 Hamlet. És bela?

 Ofélia. O quer queres dizer, alteza?

 Hamlet. Que acaso tu sejas casta e bela, tua castidade não deve permitir-se qualquer contato com a tua beleza.

 Ofélia. Poderia a beleza, alteza, ter melhores relações do que com a castidade?

 Hamlet. Certamente. Pois o poder da beleza logo transformará o que fora castidade em alcovitaria, ao invés da força da castidade tornar a beleza em virtude. Isso outrora foi um paradoxo, mas os dias atuais provam que é verdade. Eu te amei um dia.

 Ofélia. De fato, alteza, me fizeste acreditar que sim.

 Hamlet. Pois não devia. A virtude não pode se enxertar tão profundamente em nosso velho tronco sem que nos sobre sequer algum perfume dele. Eu nunca te amei.

 Ofélia. Tanto maior foi meu engano.

Hamlet. Vai-te para um convento. Por que te tornarias uma criadora de pecadores? Eu mesmo sou razoavelmente virtuoso, e ainda assim, poderia me acusar de coisas tais, que melhor seria se minha mãe não me tivesse dado a luz.

Sou extremamente orgulhoso, vingativo, ambicioso; com mais crimes ao meu dispor do que pensamento para concebe-los, imaginação para dar-lhes forma ou tempo para comete-los.

O que fariam sujeitos como eu, se arrastando entre o céu e a terra? Somos todos uns completos patifes. Não acredites em nós.

Vai-te para um convento. – Onde está teu pai? 

//Mudança de tom. Talvez para um sussurro, para que apenas ela ouvisse.

 Ofélia. Em casa, alteza.

 Hamlet. Que as portas se mantenham fechadas sobre ele, para que não banque o idiota em nenhum lugar fora sua própria casa. Adeus.

 Ofélia. [ao lado] Oh, céus, ajudai-o!

 Hamlet. Se te casares, te dou essa praga como dote –          Mesmo sendo casta como o gelo e pura como a neve, não escaparás à calúnia. Vai-te para um conventilho, um bordel, vai! Adeus. Ou, se realmente tiveres de casar, casa com um tolo; pois os homens sábios sabem muito bem o que fazes deles. Para um bordel, vai, e rápido. Adeus!

 Ofélia. [ao lado] Oh, poderes celestiais, curai-no!

 Hamlet. Tenho ouvido também de como te pintas, muito bem. Deus te deu uma face, e fabricas outra. Tu andas requebrando e saltitando, falas como criança, dás nomes às criaturas de Deus, fazendo tua sedução se passar por ignorância. Vai-te - não agüento mais - foi isso que me deixou louco.  Eu digo que não haverá mais casamentos. Daqueles que estão casados, todos, menos um, continuarão vivos; o resto deve permanecer como está. Para um convento, vai! [sai de cena]

 Ofélia. Oh, tão nobre espírito  assim devastado!

A língua do cortesão, a espada do soldado, o olho do estudioso

A esperança e flor do belo Estado,

O espelho da moda, o molde da forma,

Admirado pelos admiráveis – tão, tão arrasado!

E eu, entre as damas, a mais abatida e miserável,

Que experimentou a doçura dos seus votos musicais,

E agora vê aquele nobre e soberano raciocínio,

Como sinos rotos a tocarem estridentes e fora de tom;

Aquela incomparável beleza e os traços da juventude

Destruídos pela loucura. Oh, pobre de mim

Ter visto o que vi, e ver o que vejo!


Ofélia morreu. Afogou-se. Ouvistes? 

Tanta pena, nenhum consolo!


Ofélia morreu

afogada na ribeira

sob peso das escolhidas vestes.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

1º fragmento


foi o que te disse no último telefonema. mas não sei o que se passou até aqui nem com você, nem comigo. aconteceu de eu estar em vários estágios de confusão. o que está certo para mim é que há mesmo um problema na continuidade da ação. parece que acaba antes do fim, não há uma linha segura de evolução. a conexão vai se tornando vaporosa, mas isto não é constante e não sei se alcança o cíclico. creio também que agora haja uma descontinuidade de pensamento. isto me preocupa. muito. porque... por que? eu sempre me pergunto o que a história precisa e a história precisa do que as pessoas precisam. para a história se desenvolver com uma boa linha de condução, é necessário que as pessoas saibam disso. saibam do que precisam. e isso é muito obvio, mas você pergunta e as pessoas desviam o olhar ou simplesmente não respondem. você acha que é medo? mas medo de quê, há um medo onisciente, onipresente, onipotente conduzindo a vida? o grande medo, a grande ansiedade, a grande depressão. a questão da sabotagem, do medo de realizar-se, do medo da frustração. o medo do próprio abismo porque entre os inteligentes há o consenso geral, e eu até posso me incluir nisso, que, ao buscar a si, encontra-se o louco. e o mundo teme a loucura. teme e a transforma em fetiche. é... mas sem relê-la, talvez eu mesma já tenha perdido a linha lógica desta resposta. por sinal, não transcrevi a pergunta. foi proposital, vindo de mim, chega a ser previsível. espero que tenha algo inquieto por aí. me escreva outra pergunta ou resposta. beijo.

 

O que ela vai fazer? Quando?


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

cidades de névoa



bom subir nas doces montanhas do Rio. nos olhos, a névoa, desta cidade contornada por montes que ultrapassam prédios. a cidade do grande Cristo. a cidade da minha adolescência. Quando eu tinha 15 anos, eu queria morar no Rio. mudar de Salvador, sozinha, aos 17, para algum lugar na cidade maravilhosa. eu sempre quis morar só, desde muito nova. naquele tempo, as paixões não duravam meses. as paixões te levam de casa, sempre, quando existem e quando não existem. eu já parti. em alguns meses, vou para São Paulo. estou puxando o fio que leva a criança Salvador à adolescente Rio e a adolescente Rio à adulta São Paulo. corda de sensações. muito fina. sensações, aos olhos, nunca foi dado ver. eu, sempre gerúndio, apenas percebo em quantas cidades ando, ora de passagem, ora de mudança.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

conto do abraço


primeiro ela o abraçou e só depois de dez segundos disse: - tchau.
ele respondeu lentamente: - tchau.
mudos, continuaram abraçados. 
ela levantou a cabeça e beijou o ombro dele. ele a beijou também. 
ela afastou o corpo um segundo e retornou: - vou ficar aqui.
ele pediu: - fica.

e assim ficaram, acalmando o coração, por tempo indeterminado.

sábado, 29 de agosto de 2009

o tempo confunde


Você tão calada e eu com medo de falar

Já não sei se é hora de partir ou de chegar

Onde eu passo agora não consigo te encontrar

Ou você já esteve aqui ou nunca vai estar

Tudo já passou, o trem passou, o barco vai

Isso é tão estranho que eu nem sei como explicar

Diga, meu amor, pois eu preciso escolher

Apagar as luzes, ficar perto de você

Ou aproveitar a solidão do amanhecer

Prá ver tudo aquilo que eu tenho que saber


A Hora do Trem Passar Raul Seixas / Paulo Coelho

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

pensamentos


- eu acho que demoro de tomar decisões porque sempre penso que as escolhas são eternas. isto é um pensamento involuntário e, para ser eufémica, bem pouco inteligente.

- passei boa parte do dia pensando que eu era velha, feia e que eu não tinha nenhuma verdade irrevogável para acreditar. 

- ontem eu não sabia o que achar e vi claramente que achar qualquer coisa sobre os mais variados assuntos não resolve nada. realmente, poucas coisas conseguem ser tão inúteis quanto a especulação e a minha opinião... enfim, opinião não é exatamente do que o mundo precisa.

- o título de vários pensamentos meus é eu perco tempo. é fato!

- tenho pensado em como deixar as coisas. há três dias, não tomo café e percebi: nem sempre a gente sente falta do que gosta. será que tem gente viva assim? eu tenho medo.

- outro incómodo (eu não estou exagerando): aqui está tudo desorganizado, tudo em todos os aspectos e eu vou colocar a culpa em meus pais. eu sei que isto é fim do poço, eu nunca culpo meus pais pelos meus defeitos, mas está muito pesado e eu não pedi para nascer.

- outra coisa, eu já entendi perfeitamente que eu não tenho motivo nenhum para estar apaixonada, mas não consigo convencer a minha imaginação.

- enfim, está triste fazer yôga. eu não paro de pensar.

à grosso modo


depois de platão, veio nietzsche. e eu, que tão pouco sei sobre ambos, creio que já compreendo o que, no mundo prático, isso precisa significar: 

- platão, meu amor, eu desejo abandonar todos os seus

[ponto]


(PS: isto é uma agressão declarada ao post abaixo!)


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

"quem não deseja, deseja a morte"



e hoje, mais do que nunca, eu queria abraçá-lo por demoradas horas. 
no corpo compreendê-lo e ter certeza de que ele existe.
existe e apenas não imagina.


acabou o que era doce cabaré!

umas das primeiras coisas que a gente aprende quando decide ser ator é que, aconteça o que acontecer, é preciso estar lá e continuar até o fim. Quando o espetáculo começa, você lembra que existe hora, minuto e segundo e trabalha com eles, construindo o tempo e o espaço. é assim e você sabe que mesmo triste, doente, acidentada, preocupada, desmotivada, você vai em direção ao teatro, abandonar a si mesmo pelo tempo necessário. Você vai fazer isso diante de todos que estiverem lá e eles podem ser um ou todos os lugares ocupados. este é o trabalho do ator. eu mesma não acredito que ele exista sem paixão. hoje, era dia de eu fazer o meu trabalho. eu fiz tudo, mas são 20h e o espetáculo não vai começar. não importam os motivos. isso silencia. certamente, agora, não deve haver barulho algum no Cabaré do Vila. 

terça-feira, 25 de agosto de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ainda Alice

“Você se acostumará com o tempo”, retrucou a Lagarta, e colocou o narguilé na boca, começando a fumar novamente. Desta vez, Alice esperou pacientemente até a Lagarta querer falar novamente. Depois de um ou dois minutos, a Lagarta tirou o cachimbo da boca, bocejou uma ou duas vezes e espreguiçou-se. Então desceu do cogumelo e arrastou-se para longe, simplesmente observando, ao sair: “Um lado irá fazê-la crescer e o outro irá fazê-la diminuir.”

“Um lado do quê? Outro lado do quê?”, pensava Alice consigo mesma.

Alice no País das MaravilhasLewis Carroll. 
Tradução d
e Clélia Regina Ramos

domingo, 16 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

de uma vez:


tudo é uma questão para o tempo.
os começos e os fins.
e eu sou o meu próprio tempo passando.
eu sou o meio.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

hoje ouvi duas mulheres conversando sobre ficar mais bonita. elas estavam cheias de estratégias e com bastante dedicação. de repende, eu achei essa beleza toda tão desnecessária. quis perguntar, com real intenção de entender: - certo, digamos que vocês fiquem ainda mais bonitas. e depois? vocês vão fazer o quê com isso?

pensei, pensei e nada! tem uns três dias que estou desejando emagrecer três quilos...
só pode ser falta de atenção.

terça-feira, 11 de agosto de 2009


a paixão deitou-se ao meu lado, quase tomou o travesseiro dos meus braços. olhou-me, com sua feição de senhora, e disse:

- eu não mato, minha filha. pelo contrário, eu alimento.

eu, fraca e franca, respondi:

- então, ponha-me à mesa. encha-me o copo e o prato. já estou quase a morrer de fome.

em viagem

para todos os efeitos, eu estou viajando provavelmente até o próximo domingo. devo retornar às 22h, de um lugar distante, quase remoto, mas com água encanada, luz elétrica e internet banda larga. desta vez, vou levar o meu computador e devo conectar-me com bastante frequência, se assim desejar. lá o celular pega bem, mas certamente se cobrará taxa de deslocamento, de modo que, quem desejar, pode optar pelo envio de torpedos. perdoem-me se eu não os responder, vocês sabem que eu odeio escrever mensagens pelo celular (embora o tenha feito ultimamente...). aviso: para assuntos mais longos, por favor, mandem e-mails. no mais, até a volta e desejem-me uma boa viagem.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

silêncio, tanto silêncio
ou eu estou surda.

queria ter mergulhado no rio São Francisco
meus olhos ficaram doendo do sol daquela cidade
e ainda lacrimejam a tua água de rio com cor de mar
eu precisava e deixei alguma coisa cair no chão de areia
Petrolina
não vou mais lá e durei pouco

andei-te sensível, à luz, querendo viver no sótão com os morcegos
para permanecer calma, pendurada de cabeça para baixo, entregue ao sono dos cegos
os morcegos sonham com pescoços?
eu nem sei, Petrolina, o que cansou meu desejo...
ah, se à mim bastasse o teu pescoço e sangue quente!

domingo, 9 de agosto de 2009

meu espírito destrutivo está totalmente encarnado na figura da menina que dorme tranquila, após colocar fogo no próprio quarto.

antigamente, tinha sempre alguém para me salvar.
agora, é mesmo possível que eu queime no fogo do meu inferno.

tomara que depois passe um vento para me espalhar as cinzas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

acordei, às 3 da manhã, com frio.
ar condicionado desligado, janela fechada, cobertor pesado, temperatura normal.
eu não sonhei com nada e, desde ontem, me assusta a impressão de que perdi alguma coisa.
o silêncio me tira a crença. nada a acreditar.

domingo, 2 de agosto de 2009

on/off

eu preciso entender a relação do tempo. do meu tempo, do tempo do outro. de onde há, de onde não há espera. e, sobretudo, de onde não há pressa. já ouvi "dá tempo para tudo". mas não sou eu quem dá o tempo. nem o meu, nem o outro. por mim, eu nunca desligaria os meus aparelhos eletrônicos. dizem que é ruim para o computador, que equipamentos têm vida útil. então, desligo. economizo também energia. mas ligo assim que acordo. tudo deveria ter um botão on/off. eu também merecia não me desperdiçar tanto.

Conversações sobre Godard

Eu quase nunca escrevo os textos que gostaria, pensei em escrever vários sobre os filmes do SEMCine e, agora, parece que devo alguma coisa ao mundo. No entanto, pensando bem, não é este o meu trabalho e já disseminei bastante conversando com vários sobre o que vi, além de escrever Godard no meu twitter, depois de ter visto alguns dos seus filmes. Como o bom assunto faz durar a conversa, vou riscar algumas linhas sobre “O Desprezo”.

Na manhã de ontem, vi "O Desprezo", que, enquanto via, já me trazia a clara noção do que significava o termo obra-prima na arte. "O Desprezo" também me fez acreditar que Godard discorre por um caminho de compreensão poética que, para atingir sua potencialidade, necessita encontrar eco na experiência pessoal dos que assistem a seus filmes. Isso é comum quando se trata de arte, mas, para mim, sempre se revelou em maior ou menor grau. Assim como Tchekhov, identifiquei em Godard esta característica em grau amplamente elevado. São muitas e profundas as camadas do humano e para alcançá-las é preciso vivência e bastante atenção. Neste contexto, esclareço que esta vivência não significa idade. A idade pode ser um facilitador, já que uma pessoa mais velha, teoricamente, já teve mais oportunidades para experimentar certas sensações e situações, mas certamente o tempo de vida não é o único caminho tanto pelo fato de que certas experiências não estão profundamente atreladas à idade como pelo fato de que a experiência intelectual, advinda do contato com outras obras de arte, servem como veículo condutor para a compreensão destes níveis.

"O Desprezo" me encantou pela profundidade e unidade entre o discurso poético - sinestésico, semântico e objetivo - e a forma estética imagética, intensa e ininterrupta. Depois do filme, pensei que uma obra-prima é aquilo que se identifica como único e definitivo. De fato, eu não imagino que exista uma forma melhor para se contar aquela história e não acho que alguém possa ir mais fundo na construção de um relato sobre o aquilo. Uma obra-prima: tudo que eu vir sobre o tema daqui para frente, ainda que seja profundamente sincero, para mim será uma derivação de Godard.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

abrigo

eu sei, mas não entendo como, nem porque acontece. e a gente vai embora, meio sem ter o que deixar para trás, esquecendo tudo lá, quase igual, no mesmo lugar. mas a gente só é o lugar que a gente mora por dentro. e não tem outro jeito, a gente vai embora. vai ouvindo a batida baixa e lenta do coração variado triste e aprumado em busca de novo lar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

SIM...

Nos amávamos rodando pelo espaço e éramos uma bolinha de carne saborosa e suculenta, uma única bolinha quente que resplandecia e jorrava aromas e vapores enquanto dava voltas e voltas pelo espaço infinito e rodando caía, suavemente caía, até parar no fundo de uma grande salada. E lá ficávamos, aquela bolinha que éramos ela e eu; e lá no fundo da salada víamos o céu e as estrelas que andavam navegando no mais distante da noite.
E de repente éramos a promessa de tudo.
Éramos o certo e justo.
Éramos o esperado anseio do sim.
Éramos o sim.

Eduardo Galeano, título desconhecido.
Texto que me coube como ponto de partida para o trabalho da oficina
com Ronaldo Serruya, integrante do Grupo XIX de teatro/SP.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Se a minha terça fosse começar agora, eu desejaria...

- não doer de saudade.
- tomar um voltaren.
- sentar para beber um cappucino.
- ir no shopping comprar poesia.
- descumprir a minha promessa de trabalhar de madrugada.
- ouvir outras músicas.
- não tocar em meu telefone.
- ter meia hora de consciência livre.

a parte que me cabe nesse latifúndio

vou sair para comprar umas coisas. isto é raro, mas acontece. mas, estive pensando, é prático conquistar as coisas através do dinheiro. pena que nem sempre se tem... é certo, vou voltar para casa com a parte que me cabe nesse latifúndio.

talvez eu fique mais consumista
talvez coloque um piercing
talvez não fale
talvez escolha uma tatuagem
talvez acenda um cigarro
talvez volte a comer carne
talvez não ame mais gente
talvez dê mais esmola
talvez ligue a tv
talvez fique com medo
talvez largue a internet
talvez tome mais remédios
talvez não queira
talvez não me importe
talvez não use livros
talvez não use perfume
talvez pare de fazer teatro
talvez me separe
talvez acenda outro cigarro
talvez use meu DRT de jornalista
talvez pare de tomar café
talvez não conheça ninguém
talvez não escreva
talvez não mude minha respiração
talvez volte para o yôga
talvez não engravide
talvez dance com quem me convidar
talvez eu vá
talvez não volte
talvez vá sempre ao cinema
talvez não faça
talvez não falte

segunda-feira, 27 de julho de 2009

irregular

nos dias sem som e sem silêncio, sempre sinto um desejo de jejuar, mas não é grave.
privar-me requer muita força de vontade.
e, além do mais, tenho medo de ficar santa.
Ainda sobre isto, semana passada testei meu yôga.
já esta semana, talvez, não dê para ir lá,
e nas semanas seguintes é possível que já não encontre mais o caminho.
acontece.
como se eu não soubesse os números que levam o 8 ao 80.
eu, tão antes, esqueço rápido. mudo tanto e não mudo nada.

(...)

Isto assim não pode ser... Mas como achar um remédio? --- Pra acabar este intermédio Lembrei-me de endoidecer: O que era fácil --- partindo Os móveis do meu hotel, Ou para a rua saindo De barrete de papel A gritar <>... Mas a minha Alma, em verdade, Não merece tal façanha, Tal prova de lealdade... Vou deixá-la --- decidido --- No lavabo dum Café, Como um anel esquecido. É um fim mais raffiné.

Serradura, de Mário de Sá-Carneiro, por quem me apaixonei.

visita

às vezes, sinto uma tristeza profunda, arreigada.
ela não me impede de continuar.

poesia


vi um anúncio de papel colado no poste "procura-se Poesia". abaixo da frase, a foto de uma cadela, desde já com cara de abandono, abraçada por uma criança sorridente e sem dente. era mesmo de dar pena, de cortar o coração... resmunguei inultilmente comigo: ô Poesia, aonde você foi parar?

domingo, 26 de julho de 2009

Álcool


Guilhotinas, pelouros e castelos
Resvalam longemente em procissão;
Volteiam-me crepúsculos amarelos,
Mordidos, doentios de roxidão.

Batem asas de auréola aos meus ouvidos,
Grifam-me sons de cor e de perfumes,
Ferem-me os olhos turbilhões de gumes,
Descem-me a alma, sangram-me os sentidos.

Respiro-me no ar que ao longe vem,
Da luz que me ilumina participo;
Quero reunir-me, e todo me dissipo ---
Luto, estrebucho... Em vão! Silvo pra além...

Corro em volta de mim sem me encontrar...
Tudo oscila e se abate como espuma...
Um disco de oiro surge a voltear...
Fecho os meus olhos com pavor da bruma...

Que droga foi a que me inoculei?
Ópio de inferno em vez de paraíso?...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eternizo?

Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi álcool mais raro e penetrante:
É só de mim que ando delirante ---
Manhã tão forte que me anoiteceu.

Uma homenagem a Mário de Sá Carneiro que, como um amigo, me fez companhia num dia transbordante.

um dia humano como shakespeare

- cheguei, ofélia!
- então... eu o amo, hamlet!
- estás bêbeda, ofélia?
- não, meu amor... diga-me embriagada. bêbeda só é adjetivo dos que não têm poesia.

despir ou qualquer coisa que me leve ao fim




quero, num abraço, a nossa paixão em silêncio.
quero um abraço e a nossa paixão no silêncio.
quero chegar enfim.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

sobre estar a salvo

queria estar pisando pela primeira vez em um país estranho, com idioma totalmente incompreensível na escrita e na fala. eu me dirigiria para o pequeno lugar que teria alugado, pela internet por 3 anos com pagamento adiantado, de alguém que eu nunca conhecesse e que, sem nenhuma explicação, entendesse isso perfeitamente. lá eu ficaria apenas lendo até o dia em que, sem perceber, morreria de fome.

eu só quero personagens, leio e entendo,
eles só existem a partir de mim e eu não os temo em nada.

quinta-feira, 23 de julho de 2009


às vezes, tenho medo do tamanho do meu SIM.


sim, cotidiano.


Indo para uma reunião que me deu a oportunidade de ver a orla da Barra até o finzinho da Pituba (é bom viver nessa Bahia, viu?), me impressiono com a secura da maré. Pedras, pedras, pedras... e eu pensei "não é a praia da minha infância", não sei se com desdém ou com amor mesmo. Avisto no calçadão do meu amado bairro, o ex-namorado - o que entrou para a minha história como o último antes do meu estado civil deixar de ser solteira para sempre. Estado civil é coisa que não regride, hein? Só avança ou, com sorte e/ou azar, estaca. Então, ele estava andando com uma menina que, segundo minha memória palpita, deve ser a filha dele. Ele, acho, não casou e ainda é meu vizinho, mora (desde sempre) na esquina mais próxima do prédio onde (coincidentemente) fui morar quando casei. Eu passo praticamente todos os dias pela rua dele, mas a gente se vê menos que quase nunca. Isso para mim é, ao mesmo tempo, estranho e absolutamente natural. Afinal, pensando bem foi quase sempre assim. Eu tive (bem) poucos "namorados" e, do passado, restou apenas um amigo, além deste ex que, pelo menos, sei que está vivo. Os outros simplesmente desapareceram da mesma forma que apareceram. Eu realmente acho estranho sempre que a vida me lembra que os namorados se esquecem, mas acontece muito e com muita gente.

Umas duas horas antes do meu casamento, André me ligou para avisar que não ia poder ir. Eu não cheguei a vê-lo quando deixei o convite, uns dois meses antes, na portaria do prédio. Eu casei no Fórum Ruy Barbosa, às 11 horas da quarta-feira 18 de setembro, em 2002, depois de dormir às 3 da manhã, só, na minha nova casa. Este é o telefonema que mais me recordo de André. Não durou 5 minutos e não houve sentimentalismo.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

juntando tudo no mesmo post

- tenho adorado usar perfume.
- hoje, tive uma prova externa de que eu estou hormonalmente desequilibrada. eu não sei quanto a você, cara leitora, mas a mim homônios desequilibrados assustam e envaidecem.
- fiz uma busca pela palavra paixão no meu blog.
- continuo ouvindo Adriana Calcanhoto e daqui a pouco é capaz que eu vá parar em Djavan...
- minha ansiedade hoje está falando pelos cotovelos (melhor do que quando ela chora em silêncio).
- sempre que quero emagrecer dois quilos, acabo engordando dois. hoje, isto me pareceu significativo e eu ainda não sei o que fazer.
- realmente não é da minha natureza resolver as coisas, mas de vez em quando respiro fundo e faço.
- acordei, num grande esforço, com a frase "eu faço sampa e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã" cantarolando na minha cabeça. essa música me lembra uma pessoa, essa pessoa me lembra todas as outras...
- percebi que escrevi sampa ao invés de samba. deixa aí, faz sentido.
- meu cachorro dorme lindo.
- estou com vontade de dormir em alguém (o contrário também poderia ser).
- enfim, meio-dia.

vai chegar a hora em que nada mais haverá
e eu vou continuar
(eu vou continuar triste)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Veio para o blog porque nos 140 do twitter não deu não!

Hoje, tive a infelicidade de descobrir a existência da bizarrice "O troco, hein". Coisa que não sei como definir, já que não me parece uma banda e sim um bando de filhos do cão ou de alguma chocadeira vagabunda. Condensados na parca figura do vocalista, ou imbecil com o microfone na mão, promovem em suas festinhas de quinta uma avacalhação da imagem da mulher, degradada como um objeto sexual de baixíssimo valor. Infelizmente, elas aceitam, expondo seus corpos sem nenhuma estima e submetendo-se ao macho no comando. Não sei que mulheres são essas, se são pagas ou não para se vender nos vídeos dos celulares, colocados a, no máximo, meio metro das suas bundas, e conquistar infinitos cliques de fama no Youtube, mas lamento. Lamento a ignorância dessa gente que não sei em qual repertório de valores morais e/ou sociais sobrevivem. Longe de mim representar o conservadorismo comportamental, mas tem limite, pelo amor de Deus, que tenha limite! Eu não vou colocar link, se quiser ver com seus próprios olhos, vá atrás na rede. Deste já, sinto-me obrigada à advertir-lhe: é bizarro e você não precisa conhecer isso para nada em sua vida, alias você será melhor e mais feliz se não conhecer. Eu só escrevi porque não tive outro jeito de me livrar e, sinceramente, lamento também.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

re-visita


O caminho das linhas das nossas mãos sem começo nem fim
Ouvir com os olhos dá ao coração tato
Cada canto de mim é um lugar de ser
Para enrolar meu coração, a brisa tem que ser fresca
Sonhos são árvores que crescem



pelas e para as meninas da oficina "Doralinas e Marias",
trechos da nossa experimentação.

verbete

- latência poderia designar terra molhada.
- impulssível é o nome da frequente dor que sinto do meio para o canto esquerdo do peito.

não posso necessitar
necessitar dói.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

para o dia em que for embora

sei de mulheres que amam ao longe. soube de uma que, cansada da espera, pegou um barco e desceu o rio. ela entendia de remar. às vezes, a gente esquece que pensa que remar é coisa de homem. mas eu. eu entendo pouco de remo, ainda não tenho muita força no braço. remo um pouco, paro, deixo a correnteza me ajustar. a correnteza, sim, tem muita força.

se tem uma coisa que a mim impressiona é água. seja por saber que há muito de água no mundo e que há muito de água no corpo. seja pela sabedoria divina que é existir água doce e existir água salgada. seja pelo poder que ela tem de ser chuva e de guardar-se debaixo da terra; seja pela imensa certeza com que elas em uma se misturam. eu gosto de água. e sou.

no dia em que eu for embora, quero a licença das águas. vou num dia que quero, por todos os céus, o sol. mas, se por bem, o tempo me mandar em chuva, eu em paz também vou. vou até em lágrimas, molhando-me de água companheira.

segunda-feira, 13 de julho de 2009


"pedra é quase planta, planta é quase bicho, bicho é quase gente"


Ouvido ontem de "Jeremias, o profeta da chuva".
Texto e direção Adelice Souza.
Montagem TCA.Núcleo 2009.

domingo, 12 de julho de 2009

sem lenço, sem documento

coisa boa não precisar
hoje tarde mar vento céu azul
nada me foi necessário
nada me pareceu preciso
esqueci a pressa
saltei do mundo
sentei na grama
perdi a cabeça
qualquer lugar

sábado, 11 de julho de 2009

ode à beleza

esta semana vi um menino lindo
lindo lindo céu azul

tomara Deus a sua beleza não suma, não des-, não pereça.
a beleza é uma coisa que me deixa feliz. e salva.

leve

Não me leve a mal
Me leve à toa pela última vez
A um quiosque, ao planetário
Ao cais do porto, ao paço

O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça
Da sua cortiça
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense que eu cheguei de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será um caminho bom
Mas não me leve

Não me leve a mal
Me leve apenas para andar por aí
Na lagoa, no cemitério
Na areia, no mormaço

O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça
Da sua cortiça
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense que eu cheguei de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será tudo de bom
Mas não me leve

O meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo

Carlinhos Vergueiro e Chico Buarque em Carioca

segunda-feira, 6 de julho de 2009

sábado, 4 de julho de 2009

um mobile carrocel
girando, mexendo, bailando sobre o meu rosto
eu, do berço, me encanto e sorrio para os teus cavalos
cavalinhos coloridos, pequenos pôneis, azuis, roxos, verdes, amarelos
eu, em pleno berço, nem mãe, nem menina, nem mulher
sou como o passado,
já não existo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

ao grande Amor

Sonho.
Como eu queria furacão, tempestade, tsunâmi, terremoto... uma catástrofe natural qualquer de que, nós dois humanos, para sempre carregássemos a culpa. mas não.
Estávamos inocentes deitados na rede da varanda. foi só vento frio na passagem. uma janela aberta. vento frio na nossa noite. a displicência da porta encostada. vento esfriando o café e os pratos de almoço e janta. era só uma catástrofe final para que o passado parecesse vil e nós, a quatro novos olhos abertos, redesenhassemos com independentes cores o bom futuro e outrem. tudo no mundo para a verdade única acabar e sermos para sempre falsos brilhantes de um dourado anel. mas não.
Foi o incomum e calmo. rio acima, mar abaixo. lágrimas quentes de apenas dor de fim. dor de suicídio. esquenta a retina, o nariz. incha, transborda e não passa. lágrima que vai queimando a pele caminho com uma insistência morna, deslizante e erosiva.
É para sempre o sorriso pleno do passado. chegou antes. foi-se cedo. porque não quando fôssemos velhos? envelhecemos. será que isso se repete? será que poderemos ter dois do melhor? e se nós tivéssemos visto antes, quando lá de cima, sem pretensão, éramos os únicos e mais felizes e tudo o que não se podia explicar e só compreender? e se cair das nuvens fosse sempre como água em chuva torrente e nunca um descuido ao se virar e dar com as costas no chão do quarto, ao lado da cama...
És tu, a tristeza no fundo dos meus olhos e será. toda a água aprisionada em meu corpo, por detrás da minha pele, em temperatura regular. eu nunca mais vou olhar nos olhos de ninguém. vou desviar do caminho que te descubra.
Vai você, subindo o rio.
Vou eu, de encontro ao mar.
Andemos. andemos. andemos.

Que Deus nos ajude no silêncio.