segunda-feira, 25 de abril de 2011
ex-sonhos
pensou: ainda não pode ser desse jeito.
(indo)
assim não é modo de deixar levar
não é modo e ainda assim...
(partida)
pelo tempo, não respondia perguntas
pelo tempo, não fazia perguntas
pelo tempo, doía mansa com seus pedaços
quinta-feira, 24 de março de 2011
medo de mentira
basta tempo para ser verdade.
não é segredo.
a despeito da vontade, à lembrança da morte, eu sei:
vai demorar para eu descansar.
não é culpa, nem outra fé,
nem tão pouco só o meu fazendo sombra.
a vida dá de sobra.
domingo, 13 de março de 2011
maternidades
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Com um sorriso...
"Às vezes, a melhor política é ir à praia."
Uma leveza apenas para abrir o intenso verão que há de vir.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
mistério
de que nome te chamo, não sei.
já não o sabia quando, em tantos espectros, escapou-me viva alma por alguma fresta, abandonando o meu corpo à gravidade.
inconsciência.
enquanto a alma atravessava abismos; o corpo jazia, cumprindo pequena morte até acordar sonâmbulo. lapso de procura.
horas depois, eram novamente um.
consciência.
lembrei-me da experiência após o reencontro corpo-alma. submeti, a todo tipo de razão, aquele pedaço de vida.
horas depois, ainda não pude compreender.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
sweet jardim
morta fiquei até descobri que a ignorância apenas desfalece. foi o vento na plaquinha de madeira que vi plantada no jardim. no balanço, eu li: "basta aprender para tornar a viver de novo".
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
amor
"química que se revela até quando de ti vejo apenas a sombra. verbo. de onde vem, esconde de nós teu corpo o segredo. não se dá, nem finda. transpõe a borda. vivo para te ver arar inconsciente este belo que coube a ti do universo Deus, homem."
terça-feira, 31 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
conto de passarinho
domingo, 11 de julho de 2010
sonho, delírio e contradição
quinta-feira, 1 de julho de 2010
daqui
segunda-feira, 7 de junho de 2010
um breve
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
ontem, eu achei que esse blog não me levaria a lugar nenhum.
são tantos os pensamentos que me interrompem ao longo dos dias em enxurrada, como essa chuva de inverno e o seu vento forte entrando pela minha janela. às vezes, eu a fecho e fico com meu suor e minha fumaça. às vezes, eu a abro, deixando os respingos virarem poças, que mais tarde enxugo com guardanapos de papel. às vezes, eu apenas deixo uma brecha. e, assim, pequenina, a chuva me acompanha; e, assim, pequenina, eu acompanho ela - quase de longe, quase de perto.
ontem, enquanto passava pela orla da Barra, era como se o céu cinza chovesse sobre o mar revolto. mas não. naquele meio de momento, a chuva era passado e presságio. e eu não a precipitei. silenciosa, apenas ouvia a minha voz dizendo que eu não queria me afastar do mar. senti uma sincera felicidade de estar em minha cidade. fiquei assim, crente de que era aqui, mesmo diante desse mar revolto, que em algum lugar estaria em casa.
o inverno é uma estação. não se acabam as estações. elas se vão sozinhas e, sozinhas, também retornam. eu sei que quando viajo, carrego a minha cidade dentro de mim. não posso fugir desse inverno. desde que ele apareceu, reagi de diferentes formas, mas já tenho aceitado que ele dure o tempo que precisar. talvez eu e outros além de mim necessitem de tamanhas chuvas.
é a sede que nos diz o que fazer. ela grita e também sussurra as horas de partida. mas a gente aprende a admirar o auto-controle e passa um bom tempo raciocinando e engolindo a própria saliva antes de encher o copo. até perder a hora. no atraso, a minha sede vira aflição. lembro: vou morrer. é provável que eu quebre o copo antes mesmo de enche-lo. o copo vazio em cacos no chão não é mais copo e eu choro lembrando do seu corpo. o copo vazio em cacos no chão quase fora água, e já não poderá matar a minha sede.
é bom lembrar que sempre pode piorar. é bom lembrar que há sempre muito a fazer. depois que um copo quebra, pode-se catar os cacos, pode-se cortar os pulsos. pode-se furar um cantinho do corpo para que o remorso sangre. mas por qual canto o remorso escapa? é mesmo pelo pulso que nos escapam todas as dores?
nem as mulheres nascem sabendo sangrar. é apenas com o tempo que o corpo delas descobre. e talvez seja por isso. eu fiquei assim: crente de que é aqui, diante desse mar revolto, que algum lugar, eu posso descobrir.
