quarta-feira, 25 de março de 2009
2º Ato: quando era criança, não brinquei de matar passarinho...
tudo que não digo, choro.
já me disseram para não falar de tudo. de mim. demais.
eu não confio em ninguém.
1º Ato: a esperança não sei quando morre.
poucos dias, viverei feliz, sem ti.
terça-feira, 24 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
amerelo ou ouro
a qualquer tempo
vão-se as flores.
quarta-feira, 18 de março de 2009
desconhecer
terça-feira, 17 de março de 2009
esquecendo a segunda-feira
- lava o cabelo com aquele creme de tratamento ultra-reparador 5 em 1 para cabelos danificados;
- troca o sabonete neutro pelo esfoliante que – há meses – você estava se lixando para o frasco;
- usa um gel de limpeza profunda eficaz para o combate de acne, mesmo sem nenhuma espinha;
- depila as pernas;
- passa todos os cremes hidrantes que duram um semestre inteiro nas mãos econômicas da sua preguiça, incluindo aquele para olheiras, presente da irmãzinha, que você sempre se lembra de usar às duas da manhã.
Passam das duas.
Você seca esperançosamente os cabelos para não molhar o travesseiro. Passa perfume. Senta. Lê. Escreve. Ouve a chuva até o sono chegar. A chuva passa. O sono não vem. Mas, em quatro horas, tanto o estômago quanto a consciência já te permitem esperar deitada. Bem ou mal, às seis e meia, você irá levantar e já será hora de tomar outro banho.
domingo, 15 de março de 2009
eu minúsculo
quantos corpos tu arrastou por ela.
a desmezura do eu ao outro ora mata, ora escraviza.
o eu nem a si liberta.
sétimo dia
E, sem medo, meu Deus diz:
nada a ti pertence."
sábado, 14 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
em canto de pássaro
voava alegre de um lado a outro
num grande círculo cantando para mim
no fim da tarde me lembrei
o quanto era lindo
aquele encanto ainda aqui.
sorri feliz saudade.
segunda-feira, 9 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
sábado, 7 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
o banho nosso de cada noite
Troquei a resistência do chuveiro.
E, parodiando Belchior,
"A felicidade é uma água quente".
segunda-feira, 2 de março de 2009
deita-me
na esperança que um anjo desça e me adormeça
antes que eu mesma tenha que trilhar o caminho do sono.
Sonho sempre em deitar-me sem sentidos, numa cama já quente,
que me leve mais rápido à noite, que me tome mais rápido do dia,
onde eu sobre, quase esquecida de mim mesma, por algumas horas
até o galo da cidade cantar, dissonante e apressado, o meu ficar de pé.
"quero deitar-me nos braços de um anjo de olhos castanhos e asas brancas"
sábado, 28 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quando eu fora um quadro
emudeci
procurei correspondência
dentro da minha moldura, tela e tinta.
depois, com a sala vazia,
desejei, sinceramente, ser menor.
forjei-me pintor.
no fim de tarde da praia só minha
caminhei com um macacão branco
sujo de tintas.
não havia paredes
eu fora as cores do quase acaso
no ilimitado tempo
o branco impregnado de pingos,
risco de uma mão desastrada de poucos olhos,
refez-me quadro.
assim fui. eternamente quadro.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
quando faz silêncio
tenho compaixão pelo silêncio da vítima
de longe, pode parecer até crueldade
mas não é minha a culpa
é da natureza do meu desejo
eu só sei matar aos poucos.
!?
"- A felicidade é um pássaro que pousa na descrença".
Um pequenino sorriso passou pelos meus lábios:
"- Eu não acredito em pássaros, mas que eles existem, existem."
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
num pequeno faíscar.
são muitas centelhas a se separar pelo entoado brilho
entre o falso e o intenso.
pois que a paixão sempre será o encontro
o despertar do fogo até o último estalar.
há que ser lenha consumida junto,
com roda de tambores e dança de pés descalços.
não se finge, não resiste ao disfarçar. é verdade entregue.
pelos olhos, pelos poros.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
quase em segredo
piadinha de carnaval
- é aquele?
- não. deve ser o próximo.
(...)
- é aquele?
- não. deve ser o próximo.
seis trios depois...
para o trio "Godot" de Jau Perri que não chegou nunca)
sábado, 21 de fevereiro de 2009
esperando Godot
vou esperar Godot não chegar nunca
vou esperar lá
com chuva, música e imensidão
lá, se não der sorte
pelo menos, não dá sono.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
o futuro não chega nunca
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
dueto de mãos
nascente
com seu capuz bordô florido e unhas grandes?
pés descalços, mãos sem marcas e os mesmos olhos escuros.
tem voz e vontade. quase não grita e ensurdece.
quem é ela?
desmemoriada, apátrida, desmedida.
sem lágrimas, desesperos e sorrisos.
mais estranha que todos os meus retratos.
ainda assim, não quero que vá.
ainda assim, não peço que fique.
me confunde a sua alma felina, ferina.
ela não me é dependente. tem vida. e rompe.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
idílio da beleza
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
les extrémités
se touchent
se touchent
se touchent
...
*Filosofo, sábio e escritor francês Blaise Pascal.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Vamos dar a despedida,
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
– Taperá,
Pode ser cruel a eternidade
Talequal o passarinho,
Eu ando em frente por sentir vontade
– Taperá,
Eu quis te convencer mas chega de insistir
Bateu asa foi-se embora,
Caberá ao nosso amor o que há de vir
– Taperá,
Pode ser a eternidade má
Deixou a pena no ninho
Caminho em frente pra sentir saudade
– Taperá...
(Janta, Marcelo Camelo / Macunaíma, Mário de Andrade)
sábado, 7 de fevereiro de 2009
lago seco
um bicho que passou todo tempo a salvo no verde de um lago e o vê, repetinamente, secar, ainda terá vida depois disto?

era ele indo. eu, súbito, parei.
é assim, paixão sem o raciocinar.
quando ia atravessando, percebi.
havia no seu afastar obstinação.
talvez toda a obstinação.
(é ela que o vale e eu nunca me convenço)
valha-me Deus um dia entender.
vai menino. são tantas horas que não te deixo.
deve ser de paz, você levá-la como companheira.
"onde queres descanso, sou desejo.
onde sou só desejo, queres não."
eu a tive.
e tudo mais eu tive.
agora entendo, Tristeza.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
a vida não tem solução. tem fim.
Caetano - in transa
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
literatura
As personagens sempre sabem o que estão a sentir.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
sobrevida
"Excuse me, do you have time?
Oh, sorry, i meant...
A Persistência do Tempo - Salvador Dalí
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
São eles a própria fôrma da minha vida.
A natureza viva como um dia de sol, como um dia de chuva.
Há que se esperar passar. Há que se deixar chegar.
Eles vão, eles vem. Não serei eu a dizer quando.
Vou ficá-los até o último instante, até o último suspiro.
Ainda que espere a morte.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
turvas
todas as mulheres são de desordenadas águas
acontecem por debaixo da pele, por dentro das saias.
todas queimam. todas ardem. todas morrem afogadas.
cantiga de exílio
não adianta eu lhe contar
nem do meu amor eterno
nem do meu jeito de amar
ninguém pode chegar antes
da minha música entornar
só a cachoira bela
pode o meu canto abafar
ah-ah-ah-ah-ah-ah-ah
eu não posso mais cantar
ah-ah-ah-ah-ah-ah-ah
não tenho por que dançar
quero agora que saiba
esta vida é do mar
um dia embale algumas histórias
como as do meu amar
entenda porque neste mundo
não havia mais como eu morar
ah-ah-ah-ah-ah-ah-ah
não tinha para quem dançar
ah-ah-ah-ah-ah-ah-ah
já não podia mais cantar
sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
quase novo, quase sempre.
Somente de perto se pode ver algo acontecer. Novo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
(dis)curso(s)
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
dia do sozinho
dei um sorrisinho contemplativo à tristeza.
agora, a senhora pode ir.
eu já quero ficar sozinha.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
o guardador de carros
Eu não percebia, mas esperava o fim do sinal vermelho. Sentada no ônibus, com minha cabeça longe, voltada para o lado de fora da janela. Não teria notado nada disto, se não fosse ele a me olhar. Sentado em cima de um carro, olhou para mim com tanta insistência que me tirou os pensamentos. Fui automaticamente ao encontro de seu rosto. Nos olhamos. Ele esperou que eu virasse. Eu esperei que ele me ofendesse. E, como é dada a simplicidade, em poucos segundos de calma, reconhecemos de nós o olhar ingênuo. Ele sorriu. Eu sorri também. De lá, ele falou, enquanto apontava os ouvidos, "está ouvindo música, né?". Alargando o meu sorriso, balancei um sim. O sinal abriu. O ônibus se movimentou, desprendendo o nosso olhar, mas logo retornamos ao encontro. Ainda em pouca velocidade, o ônibus cruzou o carro parado ao meio-fio. Com outro sorriso, ele acenou um tchau. Contente, os devolvi. Era começo de tarde e este foi o meu primeiro motivo no dia para sorrir. Poucos minutos depois, desci do ônibus. Deu para sentir que fazia um belo sol.
domingo, 18 de janeiro de 2009
sábado, 17 de janeiro de 2009
de quem. o inverso. de mim. tira a poesia.
como sou tola, em minha guerra, divertindo-as.
não vejo. não ouço. apenas falo.
tropeço vaidosa sem saber servir-me.
já disse. eu sobro. eu estou em excesso.
perdoem-me. sem desculpas. caí em desconcerto.
não prometo ordem. mas. por diante.
talvez, deseje que apenas um "não" me baste.
quem dirá que sabe. o que pode um único "não".
que já nem seja ele fogo para a minha alegria.
nem também água para a minha tristeza.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
meu caro apego
desde a hora que acordei, só ouço a voz da minha respiração. ela não me deixa esquecer. é um ressentir interminável do ontem. sem nenhuma piedade. e eu que pensei que poderia olhar o novo dia, mal ando, com o peso do ar a circular para dentro e para fora de mim. eu sei, eu sei. suplicaria um pouco de paciência, mas ela precisa de severidade, não me vê com confiança. sabe que eu esqueço. sabe que eu perdôo. sabe que eu transformo. sabe todo o esforço que eu naturalmente faço para não ver o acabar. nem eu entendo por que penso que preciso de um mundo inteiro que, quando de fato se vai, não me faz a menor falta. é sempre e não é medo. há pouco tempo atrás, eu acreditava que adorava mudanças, mas alguém me fez descobrir. das mudanças, eu gosto da hora em que todas as tralhas já foram reorganizadas. antes disto, para mim, é só trabalho. árduo.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
foi bonita a festa, pá
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Tanto Mar - Chico Buarque
legítima defesa
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Elas ficam, são alimentadas por pouco a todo tempo.
Por isto, é tão dificil não pensar.
Quando quase acho o vazio, elas chegam, ocupando tudo.
São cores, contornos, sons, sensações.
Quase quero parar a minha mente.
Quase quero libertar as imagens.
Quase quero apagar-me.
Mas elas sempre me parecem belas. Eu as desejo, e não as acredito. Não deve haver motivos. Não é questão de fé acreditá-las.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Quando aprendi a fazer bolo, ouvi dizer que se deveria bater a massa sempre para o mesmo lado. Alguns doces também, se fossem mexidos em sentidos diferentes, embolariam. Nunca entendi a fragilidade da massa dos doces, incapazes de suportar reviravoltas. É pura atenção. Como os amo, mexo-os observando.
Não é mesmo para entender.
É apenas para ter cuidado.
domingo, 11 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Se fizer bom tempo...
Maricotinha - Dorival Caymmi
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Teimosia romântica
(...)
Nem por um milagre, o olho humano burro o realizará.
Mas, se insiste, vai, minha filha, deita.
Deus ajude que não lhe caia uma estrela na cabeça.
Deus que lhe ajude!



